De Vento E Garoa

De Vento E Garoa
(Christian Davesac, Ricardo Rosa)

Um poncho negro no arreio, carregador de distâncias,
E o vento carda fragrâncias de terra e lombo suado,
Num passo firme o gateado da marca antiga do avô,
Que o Rio Grande enfrenou na várzea pechando bois,
Silhueta que o tempo pôs quando a noite se atorou!

Boiada ponta de tropa, pesada de sobre-ano,
Tranqueia solta de mano seguindo o passo das pedras
O campo verde apodera, põe graxa na capadura,
É a primavera que apura pro rumo do saladeiro,
Estilo guapo fronteiro, desde guri se assegura!

Tem cara negra mochado e baios de cola branca
Cruza da marca da estância lá da costa da lagoa
Bem mansa chega a garoa desato o poncho da mala
Ainda longe das casas, refuga um pampa brasino,
Meu pampa é cerno e abrigo pajando de cola atada!

Pito um crioulo de rolo, com palha seca de milho,
Depois aperto o lombilho no olho da tarde cheia,
Um cusco guapo se achega, me dá uma mão no rodeio,
Cuidando a tropa se veio, sem olvidar da culatra,
Sacode a cola de prata este picaço ovelheiro!

A tropa encordoa mansa pros lados do parador,
Chega do posto o olor dum borreguito nas brasas,
O gateado enxerga as casas, tapeio bem o chapéu,
Desaba o tempo do céu, afrouxo boca de espora,
O tempo não se apavora, e nunca nega o sovéu!

Na porteira da invernada saudade é cerne de lei,
Sossego léguas que andei de tropa no corredor,
Um truco me canta flor, campeando estrada e galpão,
Nas cordas do violão uma canção já ressonga,
Batendo vento e garoa de mate gordo na mão!

Um poncho negro no arreio, carregador de distâncias...

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