Milonga de Compadre


Milonga de Compadre
(Mauro Moraes, Ricardo Martins)

Atraca essa milonga
Meu compadre véio
Mete o cavalo que o rio dá passo
Atola na várzea até chega na junta
E de poncho nunca
Mete os burro nágua...

Ela enche os tubo
Feito pau de enchente
Ela iguala a gente
Quando manda bala
Meia escramuçada,
Meia redomona
Ela é do tipo à-toa,
Ela é da nossa laia...

Ela é da fronteira, ela é musiqueira
E quanto mais campeira
Mais solta das "pata",
Quando ajeita um verso
De arrasta os tareco
No cano do berro, na ponta da faca!

Atraca essa milonga
Meu compadre véio
Atraca no más
E de peito inflado
Enfia goela abaixo essa melodia
De "aparta" vaca com cria
Lá no Toro Passo...

E se alguma idéia
Te sobrar na telha
E se alguma lenha
Te incendiar os olhos
Encerra as ovelhas
Solta os cachorros
No rastro dos "loco"
De violão no colo.

Ela é da fronteira, ela é musiqueira
E quanto mais campeira
Mais solta das "pata",
Quando ajeita um verso
De arrasta os tareco
No cano do berro, na ponta da faca!

Atraca essa milonga, meu compadre véio
Que esse milongueio é de parar rodeio
E atorar no meio esta judiaria
De negar porfia e de sentar o "reio"...

Pega um mate essa alma boa
E tapa de milonga essa campereada
De escora no freio um verso desdomado
E de pechar boi brabo numa paleteada.

Ela é da fronteira, ela é musiqueira
E quanto mais campeira
Mais solta das "pata",
Quando ajeita um verso
De arrasta os tareco
No cano do berro, na ponta da faca!

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