Lá no Fim da Avenida

Lá no Fim da Avenida
(Juarez Fialho, Pedro Mauro)

Lá no fim da avenida,
Existe um sonho sonhado!
Persiste um grito calado,
Lá no fim da avenida!

O ferroviário orgulhoso em seu labor
Tinha valor numa classe que se eleva
A Vila Belga vistoso cartão postal
Um manancial que tombado se preserva

O Rio Hotel, pensão do Juca Monteiro
Um formigueiro de viajantes com sacolas
Tosca galhota do tio Eugênio Ferreira
Os bagageiros labutando lá na gare

Alto falante do ceguinho anunciando:
Está chegando o “Fronteira” já atrasado!
Canto entonado de um tal de Teixeirinha
Na outra linha outro trem já sai lotado

Cooperativa dava bóia para o povo
E um rumo novo pras bodegas de então
Na comunhão da família ferroviária
Que fez história, um orgulho deste chão

O bebedouro foi qual marco erigido
Hoje esquecido a memória dilapida
Quantas feridas, tantos sonhos e verdades
Choram saudade lá no fim da avenida

Alto falante do ceguinho anunciando:
Está chegando o “Fronteira” já atrasado!
Canto entonado de um tal de Teixeirinha
Na outra linha outro trem já sai lotado

Almejo o tempo dissipado pelo tempo
De encantamentos esculpido nas retinas
Vejo neblinas ofuscando os descasos
No triste ocaso lá no fim da avenida

Alto falante do ceguinho anunciando:
Está chegando o “Fronteira” já atrasado!
Canto entonado de um tal de Teixeirinha
Na outra linha outro trem já sai lotado

Lá no fim da avenida, onde mora o desencanto,
Hoje ecoa o meu canto, feito um clamor pela vida!

Alto falante do ceguinho anunciando:
Está chegando o “Fronteira” já atrasado!
Canto entonado de um tal de Teixeirinha
Na outra linha outro trem já sai lotado


Intérpretes: Cesar Lindemeyer, Nenito Sarturi, Pedro Mauro

Tá na rede!!!

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