Ave Maria da Guitarra

Ave Maria da Guitarra
(Márcio Nunes Corrêa, Luiz Marenco)

Ave milonga pampeana, Maria dos campeadores
Rogai por nós sonhadores em cada tarde do pago
Nós que lavamos a erva pelas horas chimarronas
Enfumaçando cambonas pra disfarçar os amargos

Ave milonga fronteira, senhora dos cantadores
Que andais pelos corredores, enluarando tições
Venha abençoar os sulinos que extraviaram seu canto
E desgarraram do campo na ilusão de outros galpões

Ave milonga campeira, santa mãe dos payadores
Os que descantam amores quando a solidão se agarra
Os que encarnam as dores, todas penas do universo
E se libertam num verso, na vastidão das guitarras

Ave milonga aragana, oração das invernadas
Cruz negra que nas estradas palanqueia os caminhantes
Abençoai os marianos que, tapeando o chapéu
Firmaram marcha pra o céu na ânsia de chegar antes

Ave milonga profeta, bendição para um tempo novo
Vem batizar o meu povo que enraizou-se nas vilas
Que changueia o pão divino no portal de um cola fina
E toreia a própria sina no tenteio de alguns pilas

Ave milonga vaqueana, onde um cristão reza o terço
Berço pra um guitarreiro transpor cantiga em puaço
Vos peço com devoção que, no juízo final
Eu ressuscite, imortal, com uma guitarra nos braços

Ave milonga
Bendita prece entre as guitarras


Intérprete: Luiz Marenco


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