Testamento De Peão

Testamento De Peão
(Wilson Paim, Léo Alves e Roni S. Renner)

Meus cabelos têm a cor do gelo das madrugadas
Meus pés que quebraram geadas mal conseguem me apoiar
Sei que Deus vai me chamar em seguida pra o seu lado
Vou feliz por ter deixado uma herança a partilhar

Não tenho um palmo de terra, criação só o cusco amigo
Que talvez siga comigo até a última morada
O rancho à beira da estrada não é meu, é do patrão
Os arreios também são, na guaiaca fica nada

Quem quiser ser meu herdeiro que siga a sina de peão
Não vai viver com dinheiro, mas vai morrer com a razão
Quem quiser ser meu herdeiro que siga a sina de peão
Não vai viver com dinheiro, mas vai morrer com a razão

Mas deixo a marca das mãos no couro gasto do laço
Deixo a força do meu braço nos arames que espichei
Deixo as cordas que trancei, deixo abertos mil caminhos
Deixo o gosto dos carinhos nos lábios de quem amei

Deixo meu sangue no sangue de algum piazito atrevido
Deixo meu suor espremido fertilizando este chão
Deixo a sombra do galpão pra algum andejo cansado
E deixo o açude pra o gado matar sede no verão

Quem quiser ser meu herdeiro que siga a sina de peão
Não vai viver com dinheiro, mas vai morrer com a razão
Quem quiser ser meu herdeiro que siga a sina de peão
Não vai viver com dinheiro, mas vai morrer com a razão



Intérprete: Wilson Paim


Festivais

CD/LP