Engasgado Na Pistóla

Engasgado Na Pistóla
(Dionísio Costa)

Ô ‘muié’ não me incomóda, que eu tô com os ‘bófe’ azedo
Amanheci no chinedo e a cachaça me fez mal
Tô co’a cabeça arrodeando e os ‘garrão’ que é puro inchúme
Pela falta de costume , de ‘retossá’ sem buçal
Depois que ‘ajuntei’ contigo, que é coisa pra mais de ano
Eu não tinha sacado os ‘pano’, pra o ‘mulherío' que é da lida
Mas já que faz um bom tempo, que eu te procuro e não acho
Pra o meu desejo de macho, me obriguei ‘campeá’ guarida

Quando eu chego da lida, não me dá mais atenção
E nas minhas ‘percisão’, tu deixou de me ‘atendê’
Vai até tarde da noite, assaltando a geladeira
Se entupindo de besteira, de à cavalo na ‘tevê’
Devido à tua frescura, me desfalquei de alguns ‘pila’
E me enfurnei lá na vila, pra me ‘esfregá’ e ‘batê’ cóla
Cheguei lá ‘loco’ de fome, com o ‘zóio’ maior que o bucho
Pronto pra ‘estorá’ uns ‘cartucho’ engasgado na pistóla

Caprichando nos ‘amasso’, não dei bola pra o respeito
Bailei de tudo que é jeito, num entrevero de couro
Empinei uma gelada, fui apartando o chinedo
Reculutei o praguedo e me atraquei no namoro
Botei em dia os ‘assunto’, daquilo que a gente gosta
Tinha umas quantas ‘disposta’, à me ‘agradá’ e me ‘serví’
Larguei duma e peguei outra, fui repassando as ‘guria’
Esfolei até uma ‘tia’, mas sempre pensando em ti

Ganhei um monte de agrado, paguei e fui atendido
E já que tô bem servido, o gasto nem considero
Gastei tudo o que eu podia, nos ‘trôco’ fiz um estrago
Mas em casa eu também pago e tu não faz o que eu quero
Acho que fiz muito bem, pois não judiei do teu couro
Depois de ouvir desaforo, destrato à torto e direito
Em vez de ‘ficá’ reinando, vá já me ‘fazê’ uma cânja
Só não me venha com gânja, que hoje eu já tô satisfeito

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