Não Calarão Nossa Voz

Não Calarão Nossa Voz
(Rodrigo Bauer, Joca Martins)

Meu canto vem do galpão mais tosco e mais primitivo...
É um cantochão instintivo, templado a fogo de chão!
Jamais será redomão, no campo aberto escarceia...
Sem maneador ou maneia que lhe reprima o entono,
Não bajula, não tem dono, não cala nem cabresteia!

Meu verso fez as estradas, os atalhos e os caminhos...
Sempre soube andar sozinho, abrindo mato em picadas...
No ermo ou na encruzilhada só tenho Deus por patrão!
Escuto o meu coração, nenhum modismo daninho
Me leva pelo caminho dos que não tem opinião!

Protesto contra a disputa entre irmãos do mesmo canto;
Contra isso eu me levanto e entendam minha conduta:
A continuar nessa luta que põe irmão contra irmão,
Disse Hernández, de antemão, que os de fora, inatingidos,
Chegarão despercebidos e, assim, nos devorarão!

Sou parte desta querência, não sesteio em sombra alheia...
Conheço a parada feia sem tironear a existência!
Campo e rio trago na essência do barro que me gerou;
Seiva agreste que plasmou minha raça nas planuras,
Com vento que, nas lonjuras, Deus que era oleiro soprou!

Bem mais que simples cantores, somos a voz de uma raça,
Mesclando história e fumaça, estâncias e corredores...
Carreteiros, domadores, que vieram antes de nós
Seguem conosco e, após, vão prosseguir sendo eternos.
Pois mesmo os tempos modernos não calarão nossa voz!

Intérprete: Joca Martins e Fabiano Bacchieri

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