Tropeiros Das Calçadas

Tropeiros Das Calçadas
(Jorge Oliboni, Dionísio Costa, Juliano Borges)

Os andantes que vagueiam sem destino
Visitando as lixeiras da cidade
São cativos e forçados inquilinos
Das calçadas onde pisa a humanidade
Sem guarida e com sonhos tão escassos
Pra uma noite mal dormida em papelão
Com a fome emparceirando cada passo
Vão tropeando um plantel de solidão

É mentira que somos todos iguais
Se cada vida tem diferente valor
E da gula do poder de quem tem mais
As migalhas também são restos de amor
Os tropeiros das calçadas esquecidos
Que campeiam por um resto de comida
Sem ter rumo, na incerteza oprimidos
São adotados pelas lixeiras da vida

Com olhares de quem passa, mais gelados
Que a frieza das calçadas para o sono
Como restos, pelo mundo rejeitados
São marcados com a marca do abandono
São alheios aos regentes das verdades
Que inventam soluções pra o egoísmo
Vivem longe de pretensas entidades
Dos que pregam a igualdade e o civismo



Intérprete: Cris Hoffmann

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