Legado De Pai

Legado De Pai
(Carlos Roberto Hahn, Nílton Júnior da Silveira)

Meu filho, eu te digo, que nem sempre eu ligo
Pra o que falam de mim
Sei que, às vezes, a canha na razão se entranha
E eu me perco de mim

Por certo que a changa é somente uma canga
E em nada me adoça
Sou quase um bicho carregando o lixo
Nos varais da carroça

É o que cabe pra mim, e nunca vai ter fim
Carregar o imundo
Quem já foi bom domador, ter que sentir a dor
De servir de matungo

Aprendi que ser bom, bem mais que um dom
É o dever de um homem
Inda que ronde o rancho, como se fosse um carancho
O fantasma da fome

Não me ponho tristonho de saber que meu sonho
Não vai se realizar
Não me vêm dissabores, pois tenho valores
Pra poder te mostrar

Não deixei de te amar e o melhor quis te dar
Sem medir meu suor
Mesmo andando em pobreza, eu tenho plena certeza
De que fiz meu melhor

Bem sei que falta o pão e me dói o coração
Não poder te dar mais
Mas eu tenho a certeza de que em nossa mesa
Não faltou amor de pai

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