Conselhos

Conselhos
(Marco Aurélio Vasconcellos, Knelmo Alves)

Filho, sou teu pai, sou teu amigo,
Por isso escuta o que eu digo,
Minha experiência é quem fala.

Melhor aprende o que cala,
E ouve com atenção.
Este destino de peão,
Não te vou deixar de herança,
Porque me sobra esperança,
De ver-te um dia patrão.

Filho, meu velho também foi peão,
E acostumou-se ao patrão, politiqueiro e caudilho,
Por sinal, pai de um filho que à força se fez doutor.

E eu na solidão do meu rancho,
Só aprendi a fazer garranchos
Prá votar neste senhor.

Filho, agora é chegada a hora,
De saires campo afora,
Rumo a estância do saber

Que este teu velho peão pobre,
Há muito que junta os cobres,
Pra te mandar aprender.

Anda, vai e doma a leitura,
Te amansa em literatura,
E prende no laço a ciência,
Que ao longo de tua ausência,
Hei de rezar ao Senhor,
Prá que voltes à querência,
Um verdadeiro doutor.


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