Flor De Porongo

Flor de Porongo
(Edilberto Teixeira, Carlos Leal, Matheus Leal)

Moreninha cor de cuia
Que inspira um verso bonito
Curtida pelo infinito
Prazer de um beijo roubado.
Sabor de um mate lavado
Com vício doce da rima...
Cuia de casca morena
Tua essência verde é um poema,
Feitio de um corpo de china.

Porongo, flor de morena,
Parceira do peão solito
Mateando, bem despacito,
Na sombra de um cinamomo.
Desassombrando o abandono
Da tarde linda e gaviona,
Que se vai com o movimento
Do sopro manso do vento
Que imita o chiar da cambona.

Chininha, cuia morena,
Da cor do sol regalito,
Meu verso é um pássaro aflito
Que vem pousar na tua sombra.
Cada vez que eu beijo a bomba
Bebo a paz das horas quietas
Que dormem e acordam em teu bojo,
Roncando o mate do apojo
Da rima de outros poetas.

Moreninha cor de cuia
Cacimba que eu bebo aflito
Quando eu me sinto solito
Sem pátria e sem endereço.
Beijando a bomba eu me aqueço
Porque o mate é um lenitivo.
E, enquanto o beijo não cessa,
Eu bebo a sanga e a promessa
De mais um mate pra o estribo.

Moreninha cor de cuia
Que cabe dentro o infinito,
Com um sentimento esquisito
Te aperto com as duas mãos,
Porque o sabor temporão
Que tens na boca e amargo.
Tua bomba tem os lábios quentes
E a china o aroma envolvente
Desta saudade que eu trago.

Chininha, cuia morena,
Da cor do sol regalito,
Meu verso é um pássaro aflito
Que vem pousar na tua sombra.
Cada vez que eu beijo a bomba
Bebo a paz das horas quietas
Que dormem e acordam em teu bojo,
Roncando o mate do apojo
Da rima de outros poetas.


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