Pela Cartilha da Encilha

Pela Cartilha da Encilha
(Volmar Camargo, Sinval Araújo)

O meu cavalo não precisa mais de soga
Pastando folga até o dia se compor
De manhã cedo risco a geada com as esporas
Que se incorporam nas lides de um domador

Costeando a cerca chamo o pingo pra encilha
Sigo a cartilha que aprendi no corredor
Pegando as garras me aprochego de mansinho
Faço um carinho nas crinas do sonador

Sou do Rio grande, sou ginete, sou campeiro
Sul brasileiro com orgulho sim senhor
Nesse labor de encilhar a vida inteira
Campo e mangueira me formaram professor

Peça por peça vou selando o estradeiro
Ponho o baixeiro, suadouro pro mormaço
Assim de jeito sobreponho a carona
Que se hermana aconchegando os bastos

Por ser da antiga ainda uso o serigote
Que ao seu porte apresilho o velho laço
Puxo na cincha o travessão e a barrigueira
Nas mãos parceiras ato bem os nós que faço

Os meus arreios tem as marcas da campanha
Que acompanham a badana e coxonilho
A sobrecincha do couro do boi fumaça
Que entrelaça do pelego ao lombilho

Prendo os aperos do peitoral ao rabicho
Faceiro o bicho relincha enquanto encilho
Seguro as rédeas meto firme o pé no estribo
Montando sigo no jaez do meu tordilho



Pela Cartilha da Encilha – Leandro Cunha by Guascaletras

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