Estiagem


Estiagem
(Severino Moreira, Zulmar Benitez)

“Pra quem é de campo, ver o gado lambendo o barro e um campeiro desgalhando o mato para que não morra e fome.
Dói na alma. Não é o sul que nossos olhos acostumaram”.

Ao ver a pampa estendida
Até onde a vista alcança
Torreira triste descansa
Sem pressa de ir embora
Miséria gastando esporas
No pastiçal já gateado
Remoendo a fome meu gado
Aponta os ossos pra fora.

A sanga perdeu as forças
Que nem na ladeira anda
E o Patrão Velho não manda
O Vento Norte que falo
Lamber o pasto já ralo
Que só a chuva renova
Vai a Cheia e vem a Nova
Sem nenhum “rabo de galo”

O açude rachou a taipa
Numa soleira bagual
No fundo um lodaçal
Minguando a cada dia
- Quem sabe venha de cria
A negritude do poente
Que alumia a alma da gente
Quando o tempo velho estia

Mirando a quincha do pampa
No rumo do meu “Patrão”
Na mudez de uma oração
Que nunca aprendi a fazer...
Até me custa entender
Esse flagelo do gado
Se a mim sobram pecados
A tropa não deve ter.

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