Herdeiros De Sepé


Herdeiros De Sepé
(Marcelo D’Ávila, Robson Garcia)

Os pés descalços ainda são os mesmos
Andando a esmo nos beirais da estrada
Os trapos gastos é que são diversos
Da velha força guarani: mais nada.

Mesmos os olhos, mesma a tez da pele,
Igual a luta pelo pão diário;
A mão aberta, estendida a palma,
Espera em vão, o gesto solitário.

É o mesmo sangue do ancestral guerreiro
Que ousou gritar que a pampa tinha dono;
E em vez de ter a terra prometida
Herdou apenas fome e abandono.

Ficou, da velha raça guarani,
Somente a pele, o olhar, os pés descalços
Pois seus herdeiros trazem a incerteza
De haver sonhado tantos sonhos falsos.

Hoje vagueiam pelos vãos das pontes,
Vendem balaios, pedem caridade;
Pra quem, um dia, foi dono da terra
Restou o frio concreto da cidade.

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