Vaneira da Bossoroca


Vaneira da Bossoroca
(Jayme Caetano Braun, Pedro Guerra)

Velha vaneira baguala que estufa os foles da gaita
Riscada de unha de taita, cheia de furo de bala
Tomando conta da sala o mesmo que lagartixa
E o chinaredo cochicha quando seu ronco se cala

Se mistura no balanço a poeira do chão batido
E os babados do vestido corcoveiam sem descanso
E o índio metido a ganso grudado a fita vermelha
Fica boqueando na orelha num jeitão de sorro manso

A fumaça do candeeiro se adelgaça e se esparrama
Perseguindo alguma dama de sorriso feiticeiro
E nunca falta um salseiro, é tradição secular
E os índios que vem mamar na garrafa do gaiteiro

Vaneira que nasceu guacha na caixa de uma cordeona
Mamando numa siá dona dessas que escondem a graxa
Andou na pampa buenacha queimada de sol e brasa
E quando não tinha casa dormia dentro da caixa

Nos comércios de carreira nos velórios e carpeta
Sob a quincha das carretas ouvindo truco e primeira
Nos bochinchos de fronteira nunca vai faltar um taita
Pra dar um talho na gaita e deixar livre a vaneira

O próprio índio que toca esta vaneira machaça
É um sacerdote da raça nas bruxarias que invoca
E os arrepios que provoca neste galope estendido
Nos levam ao chão batido dos ranchos da bossoroca


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