A Hora do Sétimo Anjo


A Hora do Sétimo Anjo
(Carlos Omar Villela Gomes, Sabani Felipe de Souza)

A pena, antes tão firme, quedou-se na folha branca...
A mão que lhe sustentava estava agora tão fria;
Final de vida com jeito de romance inacabado,
Um solo de clarineta tomando a noite vazia.

Se calam tantos fantoches quando o vento é rebeldia,
O tempo, mostrando as garras, vem ceifar outra existência;
A alma do escritor verte amor, se faz poesia...
E a cruz que lhe acompanha é a cruz da sua querência.

Uma música ao longe ecoou na imensidão...
Talvez seja essa passagem mais um livro a começar;
A vida pode ser poeira a escorrer por entre as mãos
Mas a alma nessa hora é raiz de cambará!!

O rumo da liberdade não tem caminhos cruzados,
Os lírios não se desbotam quando a terra é o sentimento,
Mais um contador de história seguindo pra eternidade,
Deixando suas pegadas pelo tempo e pelo vento.

Então em vez da trombeta, tocou o sétimo anjo
Um solo de clarineta, no seu tom de despedida;
A voz de Deus, sussurrando, aos poucos foi lhe mostrando
Que os sonhos que plantamos são maiores que esta vida.

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