A Encomenda


A Encomenda
(João Ari Ferreira, Piero Ereno, Sabani Felipe de Souza)

A tecelã em seu tear bem compassado
Tecia sonhos pelas noites de serão
A lã macia em densos fios enrodilhada
Trançava as horas pra abrandar a solidão

Findando a esquila o serviço aumentava
Chergões de garras bicharás de pura lã
Mas o cansaço jamais faria amargar
Os sonhos doces da menina tecelã

Até que um dia o amor soprou as brasas
Pra aquecer aquelas noites de invernia
Quando chegou de muito longe um rude moço
Trazendo em bolsas os suores de uma esquila
A encomenda de um pala dos bem gaúchos
Fez a mocita desatar – se num sorriso
Num breve mate o enlace da paixão
Acalentou nos corações um sonho lindo

Ficaram garras e velos bem separados
Feito os olhares na hora da despedida
Depois o moço seguiu rumo à fazenda
Deixando nela uma paixão adormecida

Passou o tempo aprontou – se a encomenda
Findou – se a espera na chegada do amado
Que além de um pala feito de lã e ternura
Levou a moça na garupa do gateado

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