Meu Chasque Não Tem Floreio


Meu Chasque Não Tem Floreio
(André Oliveira, Luciano Maia)

No velho Caiboaté grande, tua crioula querência
Até os ventos da pampa choram triste tua ausência
Mas tu como um carreteiro não findou tua existência
De freio e pelego na mão ou num pai-de-fogo em galpão
Vive tua alma em essência

Meu verso faz reverencia ao saudoso poeta-doutor
Nas minhas primeiras rimas me inspirou por professor
Também batemos estribos nos setembros campo em flor
Ao lembrar me embarga a voz
Foi te encontrar Elvio Munhoz nos campos de nosso Senhor

Usava bombacha larga e um chapéu de metro e meio
Laçava de toda trança, pealava boi sem costeio
Usava botas de potro, pechava touro no meio
Riscava lombo com a espora
Sacando boi campo afora só na barbela do freio

Deixou teu pingo gateado e um laço de doze braças
Que enrodilhava graúdo quando cruzava na praça
Vinha espumando na anca da argola grande machaça
Luzindo vinha ponteando com o tarumã desfilando
Honrando o garbo da raça

“Amigo Gaspar Machado,  meu chasque não tem floreio
Sou taura que calço a espora também sou homem do arreio
Peça a Deus patrão do céu e a São Pedro sem enleio
Que te ajuste no pago santo
Pra recorrer estes campos com o Negro do Pastoreio”

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