Conterrâneos

Conterrâneos
(João Ari Ferreira, Sabani Felipe de Souza)

Depois de ausente tanto tempo longe
Vou te rever minha querência antiga
Saudade grande me apertando o passo
Pra trocar abraços com essa gente amiga

Quando repiso teu torrão vermelho
Cortando rumo entre ervais e sojas
Me volta imagens dos avós de ontem
Esteios firmes da palmeira nova

Da erva buena carreteada longe
Do gado alçado pelas sesmarias
Criou raízes lá de Linha Velha
Pra Santo Antônio apadrinhar um dia

Ficou no pátio da infância humilde
Uma sombra eterna para os Guaranis
Por que a alma de quem foi embora
Naquela hora se plantou aqui

As matarias de ipês e grapias
As araucárias sempre vigilantes
Atrás ficaram no horizonte vasto
E o tempo largo os tornou distantes

Vozes e roncos prenunciando safras
E o pulsar de um só, e o ritmão do fundo
Sinfonia agrária que o progresso mescla
Ao som das águas nos lajeados rubros

Guardei comigo cada imagem tua
O azul das gralhas e o verde dos galhos
A seiva do mate o fio do biscaio
E as águas dos olhos pra volta ao borralho

Ficou no pátio da infância humilde
Uma sombra eterna para os Guaranis
Por que a alma de quem foi embora
Naquela hora se plantou aqui

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