O Gado No Corredor

O Gado No Corredor
(Márcio Nunes Corrêa, Hélvio Luis Casalinho, Rui Carlos Ávila)

A tropa magra na estrada pastando a sobra das secas
Na extensão do caminho onde o sol tinge o rincão
Não há raças nesta fome nem repontes ressoando
Mas recuerdos ecoando pelos silêncios de peão

Qual será o fundamento que submete o campeiro
A costear gado e família no largo de um canhadão
Sorvendo a poeira do sul por um olhar lacrimado
Um despachado da sorte nos campos cá do garrão

Na estampa da cruz cravada um eco de solidão
Mirando de uma prisão o vasto de um horizonte
À beira do corredor vai compondo o universo
Gado e o homem num reverso do que é próprio deste chão

Por certo estes tropeiros cuidando o gado na estrada
Tiveram os sonhos minguados num mundo sem compaixão
Este que planta futuro jogando vidas pra margem
Emoldurando outra imagem, criando outra nação

E a ponta pura orelhana, lascando o casco na pedra
Faz poesia num lamento vagando sem direção
Umas cheias outras falhadas um só destino no ventre
No mesmo ofício indigente dos changueadores de pão

Por isso não julgues mal os filhos destes tropeiros
Que não empunham bandeira tendo paz no coração
São apenas conseqüência desta armadilha rude
Que lhes obriga atitude na inconsciência de uma ação

Na estampa da cruz cravada um eco de solidão
Mirando de uma prisão o vasto de um horizonte
À beira do corredor vai compondo o universo
Gado e o homem num reverso do que é próprio deste chão

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