Tipo À Tôa

Tipo À Tôa
(Dionísio Costa, José Claro)

Nascí pra viver na farra onde conversa a cordeona
Dengo e chôro não me agarra, meu abraço não tem dona
Solito me determino, pra me casar tô sem préssa
E o rumo do meu destino é só pra mim que interéssa
Bruxaría não me péga, 'zóio' feio não me marca
Tudo que a sorte me néga, eu ajeito na fuzarca
Me sumo quando anoitece, 'campeá' um retôsso no pago
Só volto quando amanhece, repunando fumo e trago

Me chamam de tipo à tôa só porque eu gosto de festa
Se tem tanta coisa boa, não 'vô' 'pegá' o que não présta
(Nem ligo pra o que não présta)

Se tem barulho me chêgo, pra 'bebê' e 'fazê' fumaça
Tô virado num morcego, de noite eu ando na caça
E os 'pila' que vêm suado, vai num tapa que eu nem vejo
Chego no rancho quebrado e os 'beiço' inchado de beijo
Chinaredo e jogatina tão me rapando o bocó
Sou movido à 'cangibrina' e não caio num góle só
Carestía não me afronta, quem tem pouco, não tem nada
Pois enquanto eu pagá a conta, eu é que enfreno essa eguada

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