O Arco e a Flecha

O Arco e a Flecha  
(Carlos Omar Villela Gomes, Piero Ereno)

Poesia é flecha, a alma é um arco...

Futuro é um alvo que a alma tem;
Estamos todos no mesmo barco...
Se ele naufraga vamos também!

Poesia é flecha que se projeta

Pelas nações, que de fome choram;
A alma é um arco nas mãos do poeta
Caçando as feras que nos devoram!

A flecha corta os confins do mundo

Sangrando as chagas que a fome fez...
Povos inteiros já moribundos,
Matando um sonho de cada vez!

O arco fica, mas manda a flecha

E a flecha voa com altivez;
Chora a miséria e, em nome dela,
Transpassa a carne da insensatez!

O arco dita as razões da flecha

E mostra o rumo sem hesitar;
A flecha é força que a tudo pecha
Quanto é justiça cortando o ar!

São arco e flecha sempre em vigília,

Que essa miséria tem rosto e nome;
Nos calcanhares dessas matilhas 

Que se sustentam de sangue e fome!

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